Abstract
O beneficiamento de rochas ornamentais gera em torno de 3,26 milhões toneladas de resíduos processados no Brasil. É possível observar que estes resíduos, muitas vezes, são estocados em locais a céu aberto, aterros, lançados em rios ou lagoas de decantação, sem receber nenhum tipo de tratamento prévio, o que acarreta diversos problemas sociais, ambientais e econômicos. Os resíduos sólidos gerados no beneficiamento destas rochas apresentam elevado potencial de reciclagem como matéria prima para fabricação de vidros, devido à presença de alguns óxidos em sua composição como Al2O3, K2O, CaO, Na2O, MgO e o SiO2, principal óxido formador de rede vítrea. A utilização dos resíduos de rochas ornamentais como matéria prima para fabricação de vidro proporciona destinação final adequada ao resíduo, agrega valor ao mesmo e interrompe o uso de matérias primas naturais e não renováveis no processo, como é o caso da areia, fonte de sílica utilizada na produção convencional de vidros. Assim, foi obtido o vidro exclusivamente com resíduos provenientes do beneficiamento de rochas ornamentais, ou seja, sem a adição de areia ? premissa inovadora no gerenciamento deste resíduo. Para isso foram coletadas amostras do resíduo do beneficiamento de rochas ornamentais e de lavra, que foram submetidas a análises de raio X por fluorescência (FRX), a qual permitiu identificar a porcentagem de cada componente presente nos materiais e assim ajustar a composição para fusão em baixa temperatura. Foi elaborada uma mistura para produção dos vidros, contendo lama abrasiva coletada em diversas profundidades de ate 10 metros. O teor de SiO2 foi enriquecido com quartzito que apresentou 94% do óxido em sua composição, ambos resíduos proveniente de uma central de tratamento. A mistura para a produção do vidro foi baseada na composição do vidro comum, sodo-cálcico. A temperatura máxima utilizada no processo de vitrificação foi de 1200ºC, isso mediante a adição de fundentes obtidos do beneficiamento de rochas calcárias como CaCO3, K2CO3 e Na2CO3, que proporcionaram a vitrificação em menor temperatura quando comparada à de vidros convencionais. Foi possível verificar a vitrificação completa do material nas duas formulações. Os resultados do raio X por difração (DRX), FRX, varredura de superfície e dureza para os vidros produzidos evidenciaram características similares ao padrão do vidro comum, o que demonstrou a viabilidade técnica de produção de vidros a partir da utilização exclusiva de resíduos do beneficiamento de rochas ornamentais. A análise de densidade evidenciou que o vidro produzido apresentou 2,71 g/cm3, enquanto a análise de dureza, nas condições de 5 cm de espessura foi de 42 kg, e a resistência hidrolítica baixa. Demais análises e comparações com os vidros tradicionais, bem como variações dos vidros produzidos com os resíduos de rochas e testes de temperatura de fusão estão sendo realizadas